QUARTO DE DESPEJO, DE CAROLINA MARIA DE JESUS, FAZ 50 ANOS


Escrito na forma de um diário, "Quarto de Despejo" teve sua qualidade literária captada pelo jornalista Audálio Dantas, quando fazia uma reportagem na Favela Canindé, em São Paulo e lhe foram mostrados cadernos escritos por uma moradora, Carolina Maria de Jesus. A primeira edição do livro foi publicada sem maiores revisões para aproveitar a levada de sintaxe da autora, uma favelada, com dois anos de ensino formal, e dona de uma narrativa pura e envolvente.
Veja um trecho:

"A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é horrível ter só ar dentro do estômago.

Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: Já não bastam as amarguras da vida? Parece que quando eu nasci o destino marcou-me para passar fome. Catei um saco de papel. Quando eu penetrei na rua Paulino Guimarães, uma senhora me deu uns jornais. Eram limpos, eu deixei e fui para o depósito. Ia catando tudo o que encontrava. Ferro, lata, carvão, tudo serve para o favelado. O Leon pegou o papel, recebi seis cruzeiros. Pensei em guardar o dinheiro para comprar feijão, Mas vi que não podia porque o meu eastômago reclamava e me torturava.
(...)
Resolvi tomar uma média e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores, as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos."


Excertos da primeira edição de  "Quarto de Despejo", de agosto de 1960, são encontrados no livro "CENAS DE FAVELA. As melhores histórias da períferia brasileira", uma antologia organizada por Nelson de Oliveira, primeira edição de Quarto de Despejo, publicada em agosto de 1960, pela Editora Francisco Alves.

Um comentário:

GANGSTAC disse...

eu sou famoso no brasil por ser uns dos unicos negro a se assumir aqui no brasil... longe de mim querer sempre tecla a mesma tecla do tal do racismo. como a cantora sandra de sá mesma disse em uma intrevista em uma revista de hiphop ela disse: o pio racismo e o sentimento de inferioridade... não me refiro a autora carolina e sim todos brasileiros e brasileiras negros que anda por esse brasil sem da as horas a rica cultura afro-em geral de luta para nossa liberdade hoje... então eu destaco nesse brasil e me sinto feliz por esta de alguma forma contribuindo para um quilombo que exite ainda e quem faz esse quilombo são os que não dão as costa o que Zumbi dos palmares e outros fizeram em beneficio dessa raça forte.... eu sou negro!!!!
ps: se eu erreia na escrita é por que não sou portugues... mas sou afro-brasileiro entende